Ela existe


Prometo-te um beijo como se você o implorasse muito a mim;

Retribuo um sorriso como se você estivesse a sorrir para mim.

E logo me aquieto, cai a ficha: sou apenas um coitado solitário,

E você um mero espectro criado por minha insana imaginação.

Perco-me pelas ruas da cidade, embriago-me de uma vil bebida,

Me faço de mendigo e passo a noite em uma sarjeta miasmática.

E apesar dos pesares, ainda ouço forte dentro de mim: Ela existe!


Canção do meu Coração


Venha cá, conte-me todo o teu segredo aqui,

Sei que você me ama, dê-me a tua mão agora,

Vamos passear pelo jardim de nossos sonhos,

Veja quanta flor, todas me lembram de você!

Qual a música que você ouvirá hoje comigo?

Uma letra com versos cheios de amor e encanto,

Termina com um refrão em forma de teu coração!

Sente aqui, veja os meus olhos, eles são tão verdes:

É a esperança de ganhar um beijo teu nessa tarde.

Ouça, consegue ouvir a doce canção da minha alma?

Ela diz sobre uma história de amor, ela é pura verdade,

Um sublime sonho que hoje pode virar uma realidade!

Te dou uma flor, te dou meu brilho, por um beijo teu;

Me dê tua mão e ouça a doce canção do meu coração!

Quero ser amado


Desejo uma mulher nesta noite solitária,
Pouco importa como seja ela; quero ela,
Pois se ama é com o mais fundo da alma.
Quero poder ver em seu sorriso de rubor
A pura ingenuidade de quem vive o amor.
Quero ser amado, não importa o jeito dela!

Pangéia


Estou triste hoje, não me pergunte o porquê.

Parece que li um poema de Manuel Bandeira,

Parece até que, completamente, me esqueci.

Nas esquinas as pessoas questionam o etanol,

Não entendem a taxa de câmbio, resmungam;

Passam testemunhas de Jeová e pregam beabá,

Mas o paraíso não nos resolve a inflação, como?

Um bêbado que se atropela cantarola o Cartola;

Ele fala da flor que rouba o perfume da amada,

E me lembro da rosa, triste rosa de Hiroshima;

Culpa dos jornais que relatam radiação no Japão,

E terremotos e tsunamis e ditadores que caem.

No entanto, tento e anseio ser alheio a tudo isso,

Apago a luz, deito-me e sonho com a Pangéia,

Como Drummond, sou anterior a fronteiras!

QUERO SER MAIS EU


Hoje acordei com vontade de não ser eu,

Reneguei-me no primeiro minuto de hoje,

Mas logo percebi que até para não ser eu

Preciso absurdamente ser mais e mais eu.


Se eu não fosse eu, que sonhos eu teria?

Onde estariam meus filhos que tanto amo?

A quem eu denominaria de pai ou de mãe?

A quem eu tanto amaria se não ti, bela flor?


Um novo ano se inicia, nascem mil desejos,

Uns querem a riqueza, outro a melhor saúde,

E eu, por tudo que amo e mais prezo na vida,

Desejo-me profundamente ser mais e mais eu!

Ultrapassando


No caminho que percorro ninguém sequer me ouve,

Ninguém sequer me olha, mas choram minha ausência;

Ultrapassei na hora errada, preciso voltar para casa!


Crianças correm no parque de minha memória,

São meus filhos, o mais belo de minha história!


No quarto, chora uma linda esposa, chora uma mãe,

Choram os filhos, choram pela ida de quem adoram,

Dizem que não há mais a certa volta do ente amado!


Aquela cruz, daquela estrada, esclarece meu enigma.

Deixo a terra agora, seres diáfanos me guiam além.

Serei luz, acalento, daqueles de minha então história!

Quem me dera


Quem me dera eu tivesse o dom de fazer com que você passasse, incontinenti, a me amar...
Talvez tal situação seja impossível, talvez não, mas o fato é que teus olhos neste instante me dominam, tomam conta de meus sentimentos, guiando-os para um mundo em que jamais sairia por minha vontade, posto que cheio de ternura.
Sei de minhas limitações, conheço a fronteira do tangível, de modo que na maioria das vezes não conto a história de minhas perdas amorosas, mas conto, em alto tom, através de meus versos, pobres de rima e de vernáculo, a história do que não foi e poderia ter sido!
É nessa dimensão da imaginação, no espectro das conjecturas, que eu consigo viver feliz sem me aperceber de sua ausência em minha vida. Tal devaneio me coloca longe do sofrimento da desilusão.
Quase impossível entender por que não somos felizes no amor. O amor deveria ser o ápice do bem estar humano, mas muitas vezes acaba por ser a causa de muita dor e desalento. Quantas pessoas sofrem por amor? Uns não são correspondidos, outros mal amados. A própria História nos demonstra que por amor, ou melhor, por desilusão no amor, guerras aconteceram, impérios estremeceram, palácios ruíram. Sem contar os dramas individuais que acontecem no bojo da civilização.
Por isso tudo eu me evito, driblando a minha própria história. Enquanto os crimes passionais ocorrem, enquanto alguns se transformam em andarilhos ébrios, enquanto outros pulam de ponta-cabeça nos pontilhões, simplesmente eu estou fazendo piquenique com você numa bela tarde de domingo, ao som de sabiás, peitos-amarelos e tico-ticos. Sou louco? Não sei exatamente o que o Doutor Simão Bacamarte me responderia.
Dentro do contexto delineado, eu elaborei uma história sobre nós, evidentemente daquilo que poderia ter sido, do que não foi. A história tem um enredo maravilhoso, os cenários são perfeitos, com detalhes descritivos que dá inveja ao maior dos romancistas. Uma história de comédia-romântica que revolucionaria todas as atividades artísticas possíveis.
Sendo assim, talvez um dia eu mostre a você todo o enredo de nossa hipotética história, quando, de repente, você sair da realidade também e me encontrar no mundo mágico de meus sonhos, dentro da perspectiva daquela máxima que nos diz que sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas o sonho que se sonha junto é realidade!

AMOR IMERSO

Vejo meus olhos espiando a profundidade de meu ser Sinto meu corpo escorregando nos desfiladeiros de minha alma. E mesmo assim não perco...