
No meio da tarde prometo-te um beijo
como se você me implorasse um carinho.
Lanço um sorriso que se perde no ar,
como se retribuindo um sorriso teu.
Sim, sou patético. Logo me aquieto,
cai a ficha:
sou apenas um coitado solitário,
E você, ditadora do meus sentimentos,
é uma mera fantasia criada
Pelo ritmo frenético
Das batidas do meu coração.
Desejando-te a meu lado,
Mesmo sabendo ser uma ilusão,
Perco-me pelas ruas da cidade,
embriago-me de uma vil bebida
No bar do Seu Joaquim,
E choro nos braços dos amigos,
Que só sabem rir de mim.
Saio pela cidade agora,
é noite e já sei que hoje
É um daqueles dias
Que só volto amanhã.
De bar em bar vou me afogando,
Dizendo teu sagrado nome
para quem para e ouve:
Áh, dona Marlene,
Por qu você faz assim?
Áh, dona Marlene,
Por tua causa estou sofrendo.
Quando me dou por mim,
Já são cinco horas da manhã,
E como um mendigo
durmo na sarjeta fria,
Na calçada da tua casa, dona Marlene.
Faça-me ao menos um favor,
Jogue sobre mim um velho cobertor,
Para eu não passar frio
e sentir o teu perfume, Áh, dona Marlene.
Apesar dos pesares, ainda ouço forte dentro de mim: