Visão erótica


O poeta pega o lápis e o papel
O pardal com saudade de Paris
Canta que nem louco no teto.
A poesia parece querer nascer;
Entre goiabeiras e jabuticabeiras
Lá vai o malandro assanhaço
Quem nem avião
Cai de bico no mamão.
O poeta sorri
Se lembra de sua primeira vez...
Foi maravilhosamente estúpido
Como o vôo do assanhaço.

Sei não


O que sou nem sei ao certo
Inefável meu passado
Incerto meu futuro
Trágico meu presente.

Sem pai sem mãe
Sem escola e sem saúde
Nasci no Brasil
Filho da desigualdade.

Tenho sonhos e desejos
sinto frio e fome
Me contento com uma blusa
E com o resto de comida
Que este país me dá.

Detesto comícios políticos
Usam palavras difíceis
Como utopia, isonomia,
Soberania e outras mais.

O que eu sou?
Para que eu presto?
Nada a declarar
Seu moço...

Monólogo da despedida


Pode deixar os cacos, eu mesmo os recolho,
Já pensou se você me acerta na cabeça?

Não, não chore ao ver lágrimas em meus olhos,
Vai passar, você vai ver, tudo o tempo conserta.

Sim, leve esta foto, talvez você sinta saudade,
E quando menos você espera a beija em seu quarto.

Entendo, não podemos conter nossos sentimentos,
Pois são águas incontroláveis, eu entendo sim.

Ta bom, eu prometo, vou superar tudo isso,
Afinal, o que posso fazer senão tocar em frente, né?

Não, não me importo, pode levar todas as cartas de amor,
Até porque eu as tenho aqui em meu cérebro.

Não se preocupe, vou comprar um ótimo despertador,
Que te substitua nas manhãs para me acordar.

Preciso te falar uma coisa, você sabe que adoro brigadeiro,
De vez em quando vou te pedir que faça para mim, tá?

Certo, sei que você adora ouvir estes CDs, pode levar,
Mas se ouvir a faixa cinco deste vai ter uma recaída, heim?


Você sempre achou isso de mim, mas não é bem assim,
Na verdade eu sou deste jeito, prepotente às vezes, só isso.

Sim, vai aparecer alguém especial que me amará,
Alias, você sabe, acredito muito no amor.

Já que insiste, eu recito o verso de Vinicius:
“Que não seja eterno, posto que é chama,
Mas que seja infinito enquanto dure”.

Não vamos começar a chorar novamente,
Você não tem culpa, eu entendo, já disse!

Deixa que eu fecho a porta, seu novo amor te espera,
Está morrendo de ciúmes lá no carro, olha a cara dele.

Então tá, despedida sem beijo e abraço, tudo bem,
Adeus.

O tempo do homem do tempo


O tempo é um constante passar,
Nunca pára para me cumprimentar.
Eu, solitário, encostado na porta de um bar,
Esperando lancinantemente o tempo passar...

Quem pode mais: o homem ou tempo?
O tempo por si é infinito
O homem pelo tempo é finito.

Eclesiasticamente falando, há tempo para tudo,
Mas, ao mesmo tempo, o tempo é tudo:
Onisciente, controla tudo porque está em tudo.

Quem pode mais: o homem ou o tempo?
O tempo é escravo de si próprio;
O homem é escravo do tempo e de seu tempo.
O tempo é a sua própria causa.
O tempo é o abstrato fatal do homem!

Seja mais você


Sobre o teu rosto...
Passe o véu da verdade.
Afaste de ti toda a escuridão,
Use de Minha luz...
Pegue em Minhas mãos,
Siga em frente Comigo.
Acredite sempre:
Você vencerá!
Abandone tudo que é vil,
Despreze o inútil,
Diga adeus a tudo
Que te fere a alma.
Olhe o pássaro que voa
No imenso céu:
O que mais deseja
Senão a liberdade?

O Sorriso dela


o poeta adora o sorriso
feminino que o leva
às raias do deslumbre...

vê nos lábios dela
pétalas rosas amarelas
e a vida assim mais bela...

numa espécie de tela
em miríade de cores
do maior dos pintores:

de toda prosa lírica
entre nuvens e trovões
sonha os seus amores...

e o sorriso dela
todo poderoso e sensual
entre tantos se impõe...

o poeta menino de arte
provoca nela
o sorriso que sempre espera...

O homem e sua solidão

Um homem e sua angústia trilham na escuridão...
O suicídio lhe agrada, mas a morte não o convence.
Então ele pára na encruzilhada daquela velha estrada,
Pensa, mexe a cabeça, olha para a lua e sorri...
Volta para casa pela madrugada...

AMOR IMERSO

Vejo meus olhos espiando a profundidade de meu ser Sinto meu corpo escorregando nos desfiladeiros de minha alma. E mesmo assim não perco...