Carta ao pai


Pai, como está a tua vida ai no céu etéreo?
Será que ai o teu começo foi mais simples?
Porque quando aqui esteve você venceu,
Suplantou todos os obstáculos impostos,
Numa existência de muita luta e trabalho!

Deus te levou, é evidente que O perdoamos,
Desde que tenha lhe dado um sítio para cuidar,
Uma camionete para carregar o teu gadinho,
Uma luneta para o Senhor ver a netada crescer
E uma escada grande para às vezes aqui descer!

Sim, sabemos que Senhor ainda continua presente,
E mais do que nunca, pois agora tornou-se todo Luz
E no vasto céu de nossos corações brilha forte, reluz!

Pai, agradecemos por tudo, pelo conforto e pelo exemplo.
Aqui as coisas estão caminhando bem, fique bem tranquilo
E quando chegar a hora da final travessia ao além-túmulo
Que me desculpem Deus e Jesus, mas no portal do éden
Quem nos conduza para dentro seja o Senhor, pai da terra,
Digno de todo nosso louvor, digno dos céus e das estrelas!

AMOR VIRTUAL


Meu coração não mais me pertence,
Você o levou via e-mail.
Sim, o amor virtual existe
E ele é tão forte e tão real

Que sinto um toque úmido nos lábios
Quando me manda um beijo digital.
E-mail, o meio de te amar:
Cada palavra, um, gesto
Um breve sussurar...

Em teu ritmo


Sensualidade é expressar menos do que a terça parte da metade sobre você!
Aquele beijo que você me deu, oh! teve o efeito de mil afetos doces e lascivos;
Ainda tenho arranhadas as minhas costas, herança daquela noite de êxtase.
Não consigo esquecer da delicadeza do teu gingado ao som
Rhythm is a dancer(1),
Conduzindo-me aos maiores devaneios possíveis, uma louca e súbita paixão.
Sim, foi uma noite maravilhosa, eu inexoravelmente me entreguei todo a você,
Entrei em teu forte ritmo achando-me indômito, mas você me dominou, e como!
Não sei ao certo se é amor, não sei se é paixão, só sei que estou bem em tuas mãos,
Sou marionete neste jogo sem regras que entrei, perdidamente, viciei-me em você.
Teu charme, teus leves laivos, tua ternuda, sequer quero pensar como é viver sem!


(1) http://www.youtube.com/watch?v=u_ppF2yK4NM&feature=related


FUNIL


Caminho pelas veredas mais distantes
Ouço o som de gritos horripilantes
Entre gente todas degradantes...

Num momento me faço de assaltante
E busco da criança saltitante
a utopia mais fascinante...

Giro o mundo num instante
Como se fosse gigante
Bem distante...

Como Errante
Vou Avante
sonante...

Pela Rua Augusta


Comece a fina garoa
Ou comece a chuva,
Caminho pela Augusta:
Luzes de neon,
Mulheres semi-nuas,
Sinalizam com as mãos
Um convite de orgias!

Estou tão disperso,
Tão longe de mim:
Será que hei de encontrar
Uma alma augusta
Caminhando pela Rua Augusta?

Então eu caminho,
Meu jeito todo ingênuo
Contrasta claramente
Com a doce malícia da Rua,
Que me mostra pernas,
Escancara as coxas,
Me convida para a dança
Em teus bordéis multicores!

Sigo disperso pela Rua,
Uma puta que chora,
Maquiagem desbotada,
Recostada à sarjeta,
De repente me olha
E se supreende a sorrir.

No entanto, prossigo,
Olho para a alba lua,
E magicamente me lembro
De um sorriso paulistano
Que habita na Morada do Sol.

E vou-me indo...
Pela Rua Augusta,
Nesta Noite sem fim,
Nesta augusta hora
que me ponho a sonhar
Que ela há de me amar!

Continuo a jornada,
E como se fosse a cidade Sampa,
Meu coração do nada está a garoar
Nesta noite que teme em não findar!


28/05/2010 - Caminhando pela Rua Augusta, nas proximidades do Teatro Augusta

AMOR IMERSO


Vejo meus olhos espiando a profundidade de meu ser
Sinto meu corpo escorregando nos desfiladeiros de minha alma.
E mesmo assim não perco a calma, e a alma na sacada de meu ser
Num instante se safa e parece se erguer e se lançar ao céu.
No entanto, sou vento porque sou atento ao meu tempo
Que me resta nesta infinita hora que se finda no não agora.
Explode coração, arrasa-me o pulmão, quebre-me os ossos
Mas nada sufoca este furacão, tufão dos mares inavegáveis.
Porque são delírios do êxtase de um amor que me faz não pensar
Perdido entre a vida e a morte que já não sei o que mais expressar.
Em mim sinto-me tão pouco que eu não me basto para o tanto
Que sinto ser diante das dimensões transcendentais que me perfilam.
O meu desejo que me incumbe ao todo da existência térrea célere
Anseia por desprendimento sobrenatural e por isso sofro ao fundo.
Brilha a luz interna, endógeno batimento cardíaco, sinais físicos
Que pouco ou nada denotam deste amor sufocante e irradiante.
Amor imerso em outrem: meu universo imenso em mim.

Paladino


Quando menos se esperava,
entre tiros de bazuca e rajadas de canhões,
Lá vai o Alberto correndo pela areia
Sangue saindo de suas narinas
Vai quase que caindo
Passa por todo mundo
Árabes, iraquianos, americanos
Um comenta: "Ele é Brasileiro!"
E Alberto corre até chegar num monte.
Incrível, chegou ileso e com peso.
Se sente como se fosse o profeta Elias
E grita: "não se preocupe meus amigos, a vida é como o horizonte,tão longe tão perto, tão lindo e desigual".
Maldita vida, acertaram o Alberto bem na testa.
A carruagem de fogo chegou mais depressa.

AMOR IMERSO

Vejo meus olhos espiando a profundidade de meu ser Sinto meu corpo escorregando nos desfiladeiros de minha alma. E mesmo assim não perco...