Será que você volta?


O vento sopra forte lá fora,

Janelas se abrem em mim,

Descortina-se meu passado,

E a tenaz tristeza me envolve.


Encosto-me à parede da sala,

Debruço-me, estou a soluçar,

Tua ausência se faz presente,

O vento me cinge de saudade.


E por que você me deixou só

Naquela doce tarde de verão?

Os Meus olhos se enchem todo,

Lágrimas caem e marcam o chão.


Será que um dia você irá voltar?

Será que novamente irá me amar?

O vento está agitado, tudo arrasta,

Mas só com teu beijo a tristeza passa!

CAMINHO DE DAMASCO


Tu que, levemente, penetras ao fundo da alma mais forte;

Tu que, facilmente, vencestes a certa falibilidade humana;

Tu que, sem biblioteca, sem livros, superastes os mestres;

Tu que, caminhando sobre a água, ofuscastes a gravidade;

Tu que, de homem maltrapilho, fizeram-te Mito, um Deus!

Por obséquio, te suplico! Devolva-me a pura magia da vida,

Trilho pelo caminho de Damasco: cega-me como a Saulo!

Ela existe


Prometo-te um beijo como se você o implorasse muito a mim;

Retribuo um sorriso como se você estivesse a sorrir para mim.

E logo me aquieto, cai a ficha: sou apenas um coitado solitário,

E você um mero espectro criado por minha insana imaginação.

Perco-me pelas ruas da cidade, embriago-me de uma vil bebida,

Me faço de mendigo e passo a noite em uma sarjeta miasmática.

E apesar dos pesares, ainda ouço forte dentro de mim: Ela existe!


Canção do meu Coração


Venha cá, conte-me todo o teu segredo aqui,

Sei que você me ama, dê-me a tua mão agora,

Vamos passear pelo jardim de nossos sonhos,

Veja quanta flor, todas me lembram de você!

Qual a música que você ouvirá hoje comigo?

Uma letra com versos cheios de amor e encanto,

Termina com um refrão em forma de teu coração!

Sente aqui, veja os meus olhos, eles são tão verdes:

É a esperança de ganhar um beijo teu nessa tarde.

Ouça, consegue ouvir a doce canção da minha alma?

Ela diz sobre uma história de amor, ela é pura verdade,

Um sublime sonho que hoje pode virar uma realidade!

Te dou uma flor, te dou meu brilho, por um beijo teu;

Me dê tua mão e ouça a doce canção do meu coração!

Quero ser amado


Desejo uma mulher nesta noite solitária,
Pouco importa como seja ela; quero ela,
Pois se ama é com o mais fundo da alma.
Quero poder ver em seu sorriso de rubor
A pura ingenuidade de quem vive o amor.
Quero ser amado, não importa o jeito dela!

Pangéia


Estou triste hoje, não me pergunte o porquê.

Parece que li um poema de Manuel Bandeira,

Parece até que, completamente, me esqueci.

Nas esquinas as pessoas questionam o etanol,

Não entendem a taxa de câmbio, resmungam;

Passam testemunhas de Jeová e pregam beabá,

Mas o paraíso não nos resolve a inflação, como?

Um bêbado que se atropela cantarola o Cartola;

Ele fala da flor que rouba o perfume da amada,

E me lembro da rosa, triste rosa de Hiroshima;

Culpa dos jornais que relatam radiação no Japão,

E terremotos e tsunamis e ditadores que caem.

No entanto, tento e anseio ser alheio a tudo isso,

Apago a luz, deito-me e sonho com a Pangéia,

Como Drummond, sou anterior a fronteiras!

AMOR IMERSO

Vejo meus olhos espiando a profundidade de meu ser Sinto meu corpo escorregando nos desfiladeiros de minha alma. E mesmo assim não perco...